O corte de cabelo da Emma e nossa estranha vontade de sempre mudar

Dois momentos da semana passada:

Conversando com uma colega de trabalho sobre nossas mudanças capilares e eu contando o quanto um corte de uma atriz/modelo que eu tenha gostado influencia na minha vontade de cortar o cabelo.

No mesmo dia ‘caí’ em uma foto no meu Instagram com o corte de cabelo novo da Emma Watson. Uma franjinha bem curtinha, um tom de castanho mais escuro e aquela já antiga vontade de fazer algo novo na juba.

 

Esses dois momentos capilares me fizeram refletir sobre como nós, mulheres, somos tão inquietas (Digo mulheres por que eu nunca refleti se os homens são também assim, ok?). Nós amamos uma mudança: no cabelo, na unha, na sala, no armário. Eu sempre mudei movida a inquietações: ‘Não estou satisfeita com esse cabelo? ’ Corte nele! ‘Minha sala parece mais da mesma o tempo todo? ’, hora de mudar ela também.

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Além da Ponte

 

Você precisa de poucos minutos pata atravessar a ponte. Você ouve o silêncio e os sons dos motores. Você olha a imensidão das águas e o trabalho produzido nela. Você pensa em quantos homens trabalharam para que ela fosse erguida. Imagina se ela não existisse? Uma ponte não liga apenas um ponto ao outro mas liga histórias, cria possibilidades, constrói aonde nada existia.

Pontes são como estações.

Na vida, tudo tem seu tempo. E tempo é a medida comum a todos: Para um casal apaixonado de 20 e poucos anos e um casal apaixonados de mais de 90, para um pai conviver com seus filhos e para filhos absorverem tudo o que podem de seus pais. Todos nós – brancos, negros, asiáticos – temos em comum esse clique infinito que sempre nos lembra que estamos vivos.

O tempo pode ser como uma herança nas mãos de um filho irresponsável. Ele vai gastar tudo e não vai guardar nada para o futuro. Na cabeça dele, um pensamento ecoa: `Por que me preocupar com a velhice?`Parece tão longe, tão distante de mim… Quando ele mal percebe, as rugas já estão povoando seu rosto.

O tempo não faz muita diferença se você olhar apenas para o agora.Nossa vida não está presa a ele mas ela está intimamente ligada a estações. Todos nós passamos por elas. Entramos e saímos, Criamos e destruímos, aproveitamos ou disperdiçamos.

O tempo é apenas uma ponte que me atravessa de uma estação a outra.

Quando atravesso a minha ponte hoje – estou falando da física mesmo, aquela que liga o Rio a Niterói – não estou mais pensando no que acontece lá fora mas no que vem acontecendo aqui dentro. Da estação nova que estou vivendo, que tanto me surpreende, que tanto revela minha vulnerabilidade e uma capacidade, que eu mal reconhecia, de reconstruir pontes todos os dias rumo a eternidade.

Meu destino final.

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