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Pensata

O Medo E Eu

 

 

‘O verdadeiro amor lança fora todo o medo’

 

Eu sempre tive medo. Desde que me entendo por gente fui chamada de ‘a medrosa da família’. Já dormi por anos de luz acesa, andei olhando os cantos a qualquer som esquisito, corri na rua por achar que uma personagem de filme estava atrás de mim, evitei qualquer filme de tensão, não fui a determinados lugares…

Eu realmente acreditava que era muito medrosa. Mesmo! Afinal, quem tinha medo de acender fogo como eu? Ou andar de bicicleta? Ou de cachorros e outros bichos?

Demorei bastante pra entender que eu não era tão ou mais medrosa que as pessoas ao meu redor. Fui vencendo vários desses meus medos por insistir em não me sentir incapacitada em tudo e outros tantos porque descobri ser mais teimosa que temerosa para aceitar certas coisas.

Porém, hoje, eu não quero falar desse medo mais ‘real’ e particular mas sobre o medo universal, aquele que atinge praticamente todos nós. O medo que nos aponta para a nossa pequenez, sentimento que faz parte de nós e até é necessário em diversos pontos da nossa vida. Pois sim, temos medo: do novo, do antigo, de sermos quem somos, de não ser quem a gente é, medo de amar, medo de não amar, medo de não fazer, medo de fazer, medo de dizer sim e de dizer não também.

Descobri há pouco tempo que sentir não é necessariamente um problema. O que fazemos depois é que diz quem somos. Sim, você precisa tomar uma decisão e fazer uma escolha todo os dias e a todo momento. Você pode paralisar​ e não fazer mas também chorar​, refletir, até tremer na base mas não fugir da raia.

Quando era garotinha, pensava que a idade me traria serenidade e eu não sentiria mais medo porém ela me revelou outra coisa: respirar alguns segundinhos ou apenas se permitir chorar antes de fazer o que eu preciso me deixa pronta para deixar o medo sentadinho no banco da inércia e seguir em frente. Não é só a maneira como lido mas como venço esse sentimento.

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O medo revela muito sobre mim? Sim. Ele mostra minhas limitações, ele faz com que eu olhe para o lado e peça ajuda, ele limpa meu ouvido para os bons conselhos… Mas ele é mais como uma parada de trem: a porta abre uns segundos e fecha para seguir até uma próxima parada. Não permaneço nele e ele não me pertence. Mais à frente terão sentimentos melhores e são neles onde prefiro permanecer. Deixo a esperança ser meu lar e a fé o meu sofá de aconchego. Nada na vida é pra sempre, então protelar decisões deve ser o máximo evitado por quem deseja viver a vida ao máximo.

Pra mim, o amor é o melhor remédio para vencer o medo. Quando lembro que sou amada e de todas as vezes que vi e provei esse amor, tenho a certeza de que não preciso recuar diante das dificuldades ou das novidades. Não sei para onde estou indo mas confio em quem está me levando. Então, eu posso prosseguir e não me sentir sozinha. Pra mim, melhor é seguir – improvisando, errando e acertando às vezes – como um capítulo após o outro do que ficar parada esperando o script inteiro. A vida passa mais rápido que uma série de tv.

 

  • Giovanna Fialho

    me abraça, precisava ouvir isso
    “Quando era garotinha, pensava que a idade me traria serenidade e eu não sentiria mais medo porém ela me revelou outra coisa: respirar alguns segundinhos ou apenas se permitir chorar antes de fazer o que eu preciso me deixa pronta para deixar o medo sentadinho no banco da inércia e seguir em frente.”

    to numa fase de grandes mudanças e to com medo de nao suprir, nao superar as minhas proprias expectativas, de morrer sem nadar.
    so obrigada mesmo

    caosarrumado.com

    • Oi Giovanna,

      tudo bom? Seu comentário acalentou meu coração. O novo é assim mesmo, não é? Frio na barriga, insegurança… mas você vai conseguir ver as coisas com clareza e chegar no seu objetivo. Acho que foco e fé parecem clichês mas são os melhores antídotos para o medo.

      Beijão!

  • Que delícia de texto Bel ♥

    Eu estou lendo mindset, não tô achando a última bolacha do pacote, mas tô aprendendo algumas coisas, então tá legal! Mas enfim… Em um trecho fala que algumas empresas estão começando a buscar nos currículos das pessoas por fracassos e ver como lidaram com isso, que uma volta por cima tem sido muito mais bem vista do que quem só mostra os sucessos no currículo.

    Seu post me lembrou esse trecho. É bom perder o medo de errar, o medo de se ver menor, se ver jogado naquele mar de tubarões sabe.Ficamos mais livres pra tentar e descobrir o mundo. Amei ler seu texto e me lembrar que sou livre pra tentar, errar e tentar de novo e de como isso me faz bem. ♥

    Parabéns pelo texto! Já quero mais.

    • Oi Tati (posso te chamar assim?), muito obrigada pelo feedback!

      Poxa, que interessante esse seu comentário. Acho que o mercado de trabalho precisa mudar mesmo. E todos nós fracassamos, erramos, temos medo em algum momento. É quase impossível não ter alguém assim. Acho que uma pessoa se torna mais forte e mais resilente, além de criativa, quando supera fracassos e limitações para conquistar algo que ela acredita.

      Beijão

  • ter medo me mostra que ainda estou viva e que me importo em tentar e com tudo que está ao meu redor.
    às vezes ele paralisa mesmo. mas precisamos saber, como vc disse, colocá-lo sentadinho no banco da inércia na hora certa.
    adorei
    bjão
    http://www.jeniffergeraldine.com